Mandaçaia, jataí, manduri e mirim-guaçu. Esses são alguns dos nomes populares de espécies de abelhas sem ferrão nativas do Rio Grande do Sul. Durante a 49ª Expointer, o público pode conhecer de perto parte dessa diversidade no espaço do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), localizado no Pavilhão Internacional, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
O Rio Grande do Sul possui 24 espécies nativas de abelhas sem ferrão, das quais 11 estão representadas na exposição. Diariamente, o Senar oferece duas oficinas, às 10h e às 15h, com diferentes temas relacionados à criação e ao manejo desses insetos. Entre os assuntos abordados estão a preparação de iscas para captura de abelhas, a obtenção de cera mista, a alimentação, a divisão de colmeias, a degustação de mel e o processo de produção.
Segundo a instrutora do Senar, Maristela Krügel, o público que visita o espaço é bastante diversificado, reunindo desde crianças e curiosos até criadores experientes. Entre as espécies apresentadas está a Plebeia wittmanni, conhecida popularmente como mirim-mosquito, que, no Brasil, é encontrada somente no Rio Grande do Sul. Além do território brasileiro, ocorre na Argentina e no Uruguai. Considerada rara, a espécie figura oficialmente como ameaçada de extinção desde 2002.
Abelha adaptada ao frio
A mirim-mosquito é uma abelha sem ferrão adaptada ao clima frio. Durante o inverno rigoroso, quando as temperaturas caem, as colônias interrompem a produção de crias e entram em um período de completa inatividade, estratégia que permite economizar energia e garantir a sobrevivência do enxame.
“Ela é nossa: não tem em Santa Catarina nem no Paraná. O tamanho máximo do enxame é pequeno e tem em torno de 100 habitantes. É bem interessante porque a estrutura é totalmente suspensa e não toca o chão. É uma abelha que, no inverno, entra em diapausa, ou seja, as abelhas param de fazer postura de ovos e ficam reclusas, retomando a postura somente quando há temperatura adequada e entrada de alimento na colmeia”, explicou Maristela, acrescentando que a espécie produz uma pequena quantidade de mel e tem como principal função a polinização.
Além de apresentar espécies nativas, o espaço do Senar também chama a atenção para a importância econômica e ambiental das abelhas sem ferrão. Esses insetos são fundamentais na polinização de plantas e culturas agrícolas.
“Elas desempenham um papel ecológico crucial no transporte de pólen entre as flores. Quando se tem um fruto mal polinizado, ele geralmente fica deformado e podem apresentar aspecto ressecado e duro. Algumas culturas dependem integralmente da polinização. Além disso, mesmo que o grau de dependência seja pequeno, quando a abelha poliniza, aumentam o tamanho do grão, da vagem, do peso e da produtividade”, ressaltou.
Muito além do mel
A importância das abelhas também pode ser conferida no espaço temático “Caminhos do mel”, organizado pela Emater/RS-Ascar na 49ª Expointer. A iniciativa apresenta ao público a relevância ambiental e produtiva da apicultura e da meliponicultura no Rio Grande do Sul.
“Na área da meliponicultura, temos espécies nativas do Rio Grande do Sul e, na parte da apicultura, há a demonstração de equipamentos necessários para iniciar a atividade com baixo investimento e sem grande demanda de mão de obra, atendendo às exigências da atividade. Também falamos sobre os manejos necessários para enfrentamento do El Niño, com o prognóstico de chuvas volumosas, e eventos climáticos severos, a fim de manter os enxames fortes e minimizar impactos”, explicou o extensionista rural da Emater, Ricardo Valim.
O especialista também destaca que a criação de abelhas vai muito além da produção de mel, possibilitando a obtenção de uma variedade de produtos. “Quando se fala em abelha, todo mundo pensa no mel, mas também há a produção de própolis, pólen e bebidas fermentadas, como o hidromel”, pontuou.
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