Com a chegada da primavera, produtores de flores do Rio Grande do Sul entram no principal período de vendas do ano. Em Pareci Novo, um dos principais polos de produção e distribuição do setor no Estado, a expectativa é de uma temporada positiva, embora o clima ainda seja motivo de atenção.
Segundo o diretor de produção da Associação Riograndense de Floricultura (Aflori), Jair Calsing, a principal janela de comercialização começa entre 15 e 20 de agosto e se estende até o fim de outubro. O intervalo é considerado favorável para o cultivo, porque as temperaturas ainda não são tão elevadas e o risco de geadas diminui.
“Está tudo certo com a produção. Chegamos aí em um período bastante nublado e fechado, que dificultou, mas agora o tempo normalizou um pouco”, diz. As espécies mais procuradas são gazânia, tagete, celósia e alegria-de-jardim, que apresentam resistência ao calor.
Calsing salienta que extremos de temperatura podem prejudicar as plantas. Chuvas frequentes e céu nublado também representam risco, principalmente pelo excesso de umidade, que favorece o aparecimento de fungos. “Os extremos, tanto o frio quanto o calor, dificultam muito, porque as flores são sensíveis.”
Calsing estima que sua produção tenha aumentado entre 3% e 4% em relação ao ano passado, mas a expectativa ainda depende do clima. “Se as chuvas forem muito intensas, claro que vai atrapalhar o mercado. Se o tempo correr normalmente, será um ano muito bom, porque as pessoas estão plantando flores. Isso está na tradição, ainda mais na região”, explica o produtor, que trabalha no setor desde 1998, em Pareci Novo. O município responde por cerca de 60% da produção gaúcha de flores de forração.
Além das condições climáticas, os custos também estão entre os desafios enfrentados pelos produtores. “Um dos principais custos hoje na produção de flores é a mão de obra. Além de ser difícil de conseguir, encarece muito. Também temos a questão de sementes e mudas, a maioria delas importada”, aponta Calsing.
Mesmo diante dos custos, ele avalia que o mercado tem apresentado crescimento nos últimos anos. Para o produtor, o maior acesso à informação também contribui para aproximar os consumidores. “O mercado vem crescendo nos últimos anos. São pontos específicos que atrapalham a produção, muitas vezes é a questão do clima, mas hoje as pessoas têm mais fácil acesso à informação, o que ajuda bastante.”
Com a ajuda da família, o agricultor planta suculentas, chás e temperos, além das flores de forração, comercializadas para atacadistas da região, que fazem a distribuição para diferentes pontos do Estado. As plantas já estão em estágio avançado de desenvolvimento e próximas da distribuição. “A produção está muito bonita. A ideia é que dê uma safra boa e que tenha um aumento de produção”, conta.
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