Após enfrentar os maiores desastres de sua história em 2023 e 2024 e diante da possibilidade de um El Niño mais severo nos próximos meses, o Rio Grande do Sul está implementando uma estratégia de reconstrução e resiliência para reorganizar sua Defesa Civil. Um dos pilares fundamentais dessa mudança é a criação de uma política estadual de proteção e defesa civil alinhada à política nacional, focada na integração estreita entre o Estado e os municípios para garantir respostas mais adequadas e evitar tragédias.
A preparação no âmbito municipal avançou de forma significativa, com todos os 497 municípios gaúchos entregando seus planos de contingência, superando a realidade anterior em que apenas cerca de 60 municípios possuíam planos cadastrados, destacou o chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, Coronel Luciano Boeira, no Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil, que ocorre na PUCRS, em Porto Alegre.
Atualmente, a avaliação técnica indica que mais de 80% desses planos possuem conteúdo de nível moderado a bom, o que representa uma mudança significativa de patamar em relação aos anos anteriores. Para fortalecer ainda mais essa base, o governo estadual iniciou capacitações focadas em sistemas de comando de incidentes e está contratando estudos de vulnerabilidade para todos os municípios gaúchos.
A estruturação ganhará ainda mais destaque com a estrutura própria. Neste momento, o governo do Estado discute com a Assembleia Legislativa, a criação de uma estrutura robustecida para sair de uma dependência da Casa Militar. Em outras palavras, a criação de uma secretaria própria, com profissionais especializados na área.
O efetivo recebeu reforços com a criação de 102 novos cargos e a contratação de especialistas que o órgão não possuía anteriormente, como geólogos, engenheiros, arquitetos e meteorologistas.
Essa nova estrutura visa não apenas responder a emergências, mas promover uma mudança de cultura no povo gaúcho, incentivando a busca ativa por informações de prevenção em áreas de risco.
Junto com esse processo há o reforço da Defesa Civil, como a aquisição de quatro novos radares meteorológicos e na construção de um Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres, previsto para o próximo ano.
Conforme destacado por especialistas, o Rio Grande do Sul "aprendeu pela via da tragédia" e agora busca se tornar uma referência em resiliência climática.
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