Interlocutores da família Bolsonaro admitem, nos bastidores, que será difícil para Flávio Bolsonaro (PL) assumir a liderança da oposição no Brasil. Aliados reconhecem que o candidato derrotado nas urnas se desgastou politicamente ao decidir deixar o país e divulgar uma carta em que se autoproclama presidente, movimento que gerou desconforto entre integrantes do próprio grupo. As informações são do portal R7.
Nesse cenário, ganhou força o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito para um novo mandato e visto por aliados como uma alternativa com maior capacidade de articulação política e diálogo com diferentes setores da direita.
Nas manifestações públicas, aliados têm reforçado o apoio a Flávio sob o argumento de que ele é alvo de perseguição política e judicial. Reservadamente, a avaliação é de que, ao deixar o Brasil, o filho de Jair Bolsonaro antecipou a disputa por espaço e protagonismo na oposição.
Outros nomes
Especialistas políticos ouvidos pelo R7 também reforçam que a chance de Flávio conseguir liderar a direita brasileira estando nos Estados Unidos é quase nula. “Não há elementos para afirmar que Flávio liderará a direita à distância, pois a derrota eleitoral e a investigação enfraquecem seu capital político. A reorganização a partir de janeiro de 2027 dependerá de a direita unificar-se em torno de um nome fora da família Bolsonaro ou manter a disputa interna, que tende a favorecer o PT no curto prazo”, acredita o cientista social Artur Ratc.
Segundo ele, nomes como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado são vistos como futuras lideranças. Porém, a avaliação é de que Tarcísio seja o favorito da lista para construir uma frente ampla contra o governo. “Tarcísio de Freitas aparece como o nome mais citado para 2030. É certo que o Poder Legislativo vai avançar com um nome de liderança após as eleições”, diz.
Entre os fatores que favorecem Tarcísio nessa disputa, estão o comando do maior colégio eleitoral do país, a interlocução com setores do empresariado e o trânsito entre partidos de centro.
Liderança familiar
Para o cientista político Gabriel Amaral, a possível ascensão de Tarcísio como o principal nome da oposição pode diminuir, de certa forma, o poder do bolsonarismo na direita brasileira.
“O bolsonarismo tende a continuar como uma expressão importante, mas sua permanência não assegura a preservação do poder. Ao contrário de Tarcísio, Michelle e Nikolas representam a continuidade e a renovação do próprio bolsonarismo. O que pode começar a se desenhar é uma direita menos condicionada à liderança familiar, sem que isso signifique uma ruptura imediata com o eleitorado bolsonarista”, explica.
Agora, o desafio será prever as articulações futuras da oposição. “Mais do que identificar um sucessor de Flávio, será necessário observar se a direita brasileira conseguirá construir um projeto político cuja legitimidade não dependa exclusivamente do reconhecimento da família Bolsonaro”, finaliza Amaral.
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