A Casas Bahia fechou 298 lojas e demitiu cerca de 1,9 mil funcionários em uma nova rodada de reestruturação. A medida representa uma das maiores reduções realizadas de uma só vez pela varejista nos últimos anos.
O movimento ocorre enquanto a empresa passa por um processo de ajuste financeiro e operacional iniciado em 2023. A companhia também adiou a divulgação dos resultados do segundo trimestre, que estava prevista inicialmente para quarta-feira (12).
A apresentação foi remarcada para esta sexta-feira (14), enquanto a teleconferência com analistas ficou prevista para a próxima segunda-feira (17). A nova rodada de cortes concentra em um único momento uma parcela significativa dos ajustes que, em períodos anteriores, foram realizados de forma mais gradual.
A estratégia ocorre em um momento de pressão sobre os custos e o fluxo de caixa da empresa, em meio a juros elevados e um ambiente de consumo mais fraco.
A redução da estrutura pode ajudar a diminuir despesas fixas. Ao mesmo tempo, o fechamento de uma quantidade elevada de lojas pode gerar impactos sobre a operação das unidades que permanecem abertas e sobre a presença da marca em diferentes regiões.
A Casas Bahia encerrou 2025 com 1.042 unidades. Um ano antes, eram 1.064, enquanto no fim de 2023 a companhia possuía 1.078 lojas.
Nos 12 meses encerrados em março de 2026, considerando aberturas e fechamentos, a rede havia diminuído em 26 unidades. Foram 12 lojas da bandeira Casas Bahia e 14 do Ponto Frio.
Com o fechamento das 298 lojas anunciado agora, a redução da estrutura física ganha uma dimensão muito maior do que a registrada nos períodos anteriores. A estratégia indica uma revisão mais ampla do portfólio de lojas da companhia, com possível concentração da operação em unidades consideradas mais rentáveis e em locais com maior integração ao comércio digital.
A varejista enfrenta uma sequência de resultados negativos. No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro da perda registrada no mesmo período de 2025.
Em 2025, o prejuízo líquido consolidado não ajustado chegou a aproximadamente R$ 3 bilhões.
Os números ajudam a explicar a pressão por redução de custos e pela diminuição da estrutura operacional. A companhia vem tentando reorganizar as contas desde 2023, mas os resultados ainda mostram dificuldades financeiras.
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