A previsão de um clima mais chuvoso, a necessidade agronômica de atender à rotação de culturas e programas estaduais de incentivo explicam porque o milho foi o destaque em ampliação de área entre os principais cultivos da próxima safra de verão na Estimativa Inicial da Safra de Verão 2026/2027, anunciada pela Emater/RS-Ascar durante a Expointer.
Enquanto soja e arroz terão estabilidade ou pequena de área ante as recentes safras, o cereal deverá ter um aumento de 7,42% na área, para 896.401 hectares, enquanto na safra anterior foram 834.444 hectares, ou seja, 61.957 a menos.
E a produção prevista é de 6,911 milhões de toneladas (ante 6,448 milhões em 2025/26), ou 7,18% a mais, enquanto a produtividade está projetada em 7.711 quilos (128,5 sacas) por hectare, ou -0,25% em comparação aos 7.730 do ano passado. Já no milho para silagem terá incremento de 0,19%, para 369.389 hectares.
A avaliação sobre as razões para a maior área dedicada ao milho é do diretor técnico da Emater/RS, Mateus Rocha. Conforme ele, a presença do El Niño no Rio Grande do Sul vai provocar maior disponibilidade hídrica para o desenvolvimento da cultura.
Além disso, a necessidade técnica do produtor implementar a rotação de culturas (como o plantio do milho no ambiente que abrigou a soja na safra anterior) e os aportes do governo do Estado por meio de políticas de incentivo — como a disponibilização de sementes pelo Programa Milho 100% — oferecem melhores condições para que muitos produtores optarem pelo cereal neste ciclo agrícola.
Destaque a Santa Rosa e Ijuí
“De forma geral, a maioria das regiões, tirando a regional Pelotas (da Emater/RS-Ascar), tem aumento na área estimada para o plantio de milho”, avalia Rocha.
“Esse crescimento é impulsionado principalmente pelas condições climáticas e pelos incentivos do governo do Estado, tendo as regiões de Santa Rosa e Ijuí como destaques na maior expansão dessa cultura”, acrescenta.
A região de Santa Rosa terá um incremento de mais de 23.400 hectares, assim como em Ijuí e arredores, com expansão de 17.400 hectares. “Esses números impulsionam o aumento acumulado da variação do plantio ao longo de todo o Estado”, complementa Rocha.
Mesmo assim, o Estado está longe das épocas que o cereal recebia uma atenção muito maior dos produtores. Rocha lembra que em 2002 foram 2 milhões de hectares, ou seja, atualmente a cultura ocupa 45% do espaço daquele ano.
E, desta forma, como o Estado abriga uma das três maiores suinoculturas e aviculturas do país, e um rebanho bovino e de outras criações importantes, ocorre um déficit no grão ano após ano.
“Esta produção ainda é insuficiente para a demanda do Rio Grande do Sul. Somos grandes consumidores de milho. Principalmente pela produção de proteína animal, para bovinos, aves e suínos, se utiliza muito a cultura do milho. O Rio Grande do Sul ainda tem muito a avançar para atingir a autossuficiência”, explica o técnico.
Etanol impulsiona setor
Mesmo assim, Rocha esclarece que é esta será a terceira safra consecutiva de expansão de produção, também justificada na adoção de tecnologias que incrementam a produtividade. E também saúda os investimentos, no Estado, pela indústria de etanol que se utiliza do milho como matéria-prima.
“Com a entrada da indústria do etanol, o milho pode ser uma opção com preço melhor e, consequentemente, pode sobrar mais DDG (subproduto do etanol usado para comida dos animais) e farelo rico em proteína na alimentação animal. Também é outra opção que acaba gerando um subproduto muito utilizado no Estado”, esclarece.
“Agregamos valor ao produto e ainda contribui para uma cadeia que é altamente rentável quando se fala em agregação de valor.”
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