A confirmação de que o governador Eduardo Leite (PSD) não concorrerá nas eleições de 2026, decisão que não pode mais ser revista em função dos prazos do calendário eleitoral, desencadeia o realinhamento das estratégias de partidos e pré-candidatos. Para analistas e articuladores políticos, a saída em definitivo de Leite da corrida impacta, principalmente, no caso da disputa ao Palácio Piratini, as táticas eleitorais do pré-candidato governista, o vice-governador Gabriel Souza (MDB), e do pré-candidato do PL, o deputado federal Luciano Zucco.
Além do Executivo, ela ‘clareia’ ainda o cenário da concorrência pelo Senado, em um pleito no qual, em diferentes campos, os planejamentos postos em curso para o governo e o Senado estão influenciando diretamente um ao outro. No caso de Leite, a eleição para a Câmara Alta foi, desde sempre, apontada como uma alternativa caso ele de novo não conseguisse ingressar na corrida pela presidência da República, o que acabou acontecendo.
Mas, apesar de pontuar bem em diferentes sondagens, o governador optou por também não concorrer ao Senado. Segundo lideranças partidárias de grandes siglas, como MDB, PP, PL e PT, pesou sobre a decisão de Leite o fato de a corrida se mostrar imprevisível. Nesse cenário, uma derrota poderia significar uma reprovação das duas gestões do chefe do Executivo e comprometer seu futuro político bem mais do que ficar quatro anos sem mandato a partir de 2027.
“Tem uma coisa que é certa neste momento na eleição para o governo do Estado: ela não tem favorito. Pode pegar pesquisas, quem está na frente ou não, não importa, está tudo emaranhado e o jogo pesado ainda não começou. Quanto ao Senado, vai ser uma briga maravilhosa, mesmo com duas vagas em jogo. Também não há garantias de quem vai mesmo chegar. Costumo dizer que, no RS, o cenário político é gasoso, de tão volátil. Um exemplo? A disputa de 2022. Era a eleição do Onyx Lorenzoni. Mas problemas de assessoria e o desempenho em debates acabaram com uma vitória que era dada como certa”, elenca o especialista em marketing político Marcos Martinelli.
Entre articuladores da pré-campanha de Gabriel Souza (MDB) ao Palácio Piratini, outro fator, externo, está sendo considerado como com potencial para auxiliar o emedebista a pavimentar o caminho ao segundo turno: o da definição da novela travada entre o PT e o PDT.
Os dois partidos lançaram pré-candidatos ao governo: o petista Edegar Pretto e a pedetista Juliana Brizola. Mas o PT estadual sofre pressão da direção nacional para abandonar a candidatura e apoiar o PDT. Lideranças emedebistas evitam se manifestar publicamente sobre como o desfecho ajuda ou atrapalha Gabriel. Mas, nos bastidores, o entendimento é de que se o PDT vencer a queda de braço, o vice pode se beneficiar.
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