A comunidade de Entre Rios do Sul segue mobilizada em protesto pela pavimentação da ERS-483, no trecho que liga o município à Cruzaltense. A manifestação teve início no dia 10 de março e ocorre de forma pacífica, com bloqueios parciais da rodovia. O objetivo do movimento é cobrar do Governo do Estado o início das obras da ligação asfáltica, considerada uma reivindicação histórica da população local.
O projeto prevê a pavimentação do trecho entre o km 17,20 e o km 35,57 da ERS-483, totalizando 18,37 quilômetros. A obra é aguardada há mais de 60 anos pela comunidade e é considerada fundamental para o desenvolvimento econômico, turístico e agrícola da região.
Durante o ano de 2025, o projeto avançou em diversas etapas administrativas. Em julho, o Governo do Estado oficializou investimento de R$ 68.213.404,64 para a execução da obra, conforme documento emitido pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), contemplando todas as fases do projeto.
Em agosto, prefeitos e lideranças regionais reuniram-se com representantes da Casa Civil, em Porto Alegre, onde obtiveram parecer favorável da Junta Comercial, Industrial e de Serviços do Estado (JUNCOF), permitindo o avanço do processo para a fase de licitação.
Já em setembro, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) emitiu a licença ambiental necessária para a execução das obras. No mês de novembro foi publicada a concorrência pública para seleção da empresa responsável pela pavimentação da ERS-483, iniciando oficialmente o processo de execução.
Em dezembro de 2025 foi conhecida a empresa vencedora da licitação: a Construbras Construtora, com proposta no valor de R$ 52.044.000,00.
No mês de janeiro de 2026, o município recebeu a informação de que a licitação estava em fase de homologação. Já em fevereiro, representantes da Construbras estiveram em Entre Rios do Sul, quando manifestaram a necessidade de espaço físico para implantação do canteiro de obras, além de locais para alojamento de funcionários e contratação de mão de obra, incluindo operários, operadores de máquinas e motoristas.
No início de março, a imprensa regional divulgou que o vice-governador Gabriel Souza estaria na região no dia 5 de março para assinar o início das obras. No entanto, o ato não se concretizou.
Posteriormente, ao buscar esclarecimentos junto ao DAER e ao Governo do Estado, o município foi informado de que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) realizou quatro apontamentos relacionados ao processo licitatório.
No dia 10 de março, durante a realização da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, o governador Eduardo Leite anunciou a assinatura de convênios para obras de pavimentação asfáltica em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Entre os projetos divulgados estão a ligação asfáltica entre os municípios de Quatro Irmãos e Jacutinga, além da conexão entre Marcelino Ramos e a BR-153.
A pavimentação da ERS-483, no entanto, não foi incluída no anúncio, o que gerou forte indignação entre moradores e lideranças de Entre Rios do Sul.
Diante da situação, membros da Associação dos Produtores de Gado Leiteiro do município organizaram uma manifestação pacífica com o objetivo de chamar a atenção das autoridades estaduais para a demanda. O bloqueio ocorre na ERS-483, no ponto conhecido como Encruzilhada, que faz ligação com os municípios de Cruzaltense e São Valentim.
Posteriormente, o Poder Executivo Municipal aderiu à mobilização e decretou ponto facultativo nos dias 11, 12 e 13 de março, como forma de demonstrar apoio ao movimento. A medida não se aplica aos serviços essenciais, mantendo normalmente o funcionamento das áreas de saúde e educação.
A mobilização rapidamente ganhou repercussão regional e passou a ser destaque em veículos de comunicação de todo o estado, com cobertura de emissoras de televisão, portais de notícias, jornais e rádios, ampliando a visibilidade da reivindicação da comunidade entrerriense.
Em nota, o DAER informou que a licitação para a pavimentação do acesso a Entre Rios do Sul já foi finalizada. No entanto, uma tutela de urgência do Tribunal de Contas do Estado impede o início da obra neste momento. O departamento informou ainda que respondeu aos questionamentos do tribunal e aguarda a decisão para saber se o processo licitatório permanece válido ou se será necessário realizar um novo procedimento.
Durante pronunciamento, o prefeito Irson Milani afirmou que a população de Entre Rios do Sul vive um sentimento de injustiça diante da demora para a realização da obra. Ele lembrou que o município possui cerca de 17 mil hectares de lâmina d’água e uma usina hidrelétrica que há mais de 50 anos gera energia e impostos, contribuindo significativamente para o desenvolvimento do Estado.
Milani ressaltou ainda as diversas reuniões realizadas com representantes do Governo do Estado ao longo dos anos e afirmou que a comunidade aguarda uma definição concreta sobre o início da obra. Apesar das dificuldades, reforçou que o município permanece aberto ao diálogo e que a mobilização demonstra a união da população em torno de uma reivindicação considerada essencial para o desenvolvimento regional.
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