Após ter recebido representações de parlamentares, a Polícia Federal (PF) deve abrir uma investigação para apurar os acertos de pagamento entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República.
Uma das linhas de apuração a ser verificada é se os recursos foram desviados para um fundo sediado no Texas ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e usado para custear a permanência dele no País, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia bloqueado contas e dificultado o recebimento de recursos nos EUA.
Essa suspeita foi lançada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), autor de uma das representações à PF pedindo apuração dos fatos. Conforme diálogos revelados na quarta-feira pelo site Intercept e confirmados pelo Estadão, Flávio Bolsonaro pediu uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões, sob o argumento de que os valores serviriam para patrocinar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
As informações constam em diálogos encontrados pela PF no celular de Vorcaro, que também apontam que foram efetivamente feitos pagamentos no valor de US$ 10 milhões.
A PF deve investigar o caminho do dinheiro e verificar se os recursos foram usados, de fato, para a produção do filme.
Declarações de Flávio
O parlamentar disse ser "mentira" que o filme "Dark Horse", que conta a história de Jair Bolsonaro, tenha tido o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro.
"É mentira, de onde você tirou isso?", afirmou, dando uma gargalhada e se afastando do local onde respondia perguntas de jornalistas. Depois, o jornalista diz que o Intercept divulgaria mensagens de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro. Ele chama o repórter de militante e diz: "É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado".
Depois, por nota, o senador defendeu a instauração de uma CPI do Banco Master. "É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", diz a nota.
Comentários